*MANIFESTO PELA RETOMADA DA DIGNIDADE*

POR BRUNO PRADO

​    Vou fazer um convite para vocês e quero acreditar que o faço em momento oportuno.

    Se você é do tipo de pessoa que se *manifesta para a mudança*, mantém coerência com seu discurso e procura ser verdadeiramente honesto com o que acredita, capaz de alinhar suas palavras às suas atitudes, suas ações, peço que continue lendo a mensagem que se segue.

   Caso queira cuidar de sua vida profissional isoladamente, não precisa continuar a leitura. De toda forma, respeitarei sua posição.  

   Todo mundo está vendo que estamos "vivendo a história".   O que acontece hoje no Brasil, notadamente quanto aos cartórios, certamente será contado e estudado no futuro.

  Vivemos um momento ímpar e crucial para nossa atividade. Há relativamente pouco tempo, nem havia como se cogitar ser registrador ou tabelião no Brasil. Ao menos para a maioria de nós.  Hoje somos tabeliães ou registradores e fazemos parte de um grupo seleto de profissionais do direito. Mas a realidade tem se mostrado pior que podíamos algum dia imaginar.

    Nossa atividade parece estar numa fase de “acomodação" à semelhança de um terreno instável.   Muitos não se manterão de pé, buscarão outra alternativa. Mas os que ficarem, poderão participar de uma nova realidade. E espero que seja uma agradável realidade.

   Por certo, ainda não há um cenário muito claro do que nos espera. Mas também é verdade que temos uma grande chance de sermos protagonistas dessa mudança.  Penso que*só aqueles que tiverem voz nesse momento é que terão suas demandas atendidas*.

    Ninguém vai lutar sua luta por você. Ninguém irá para o "front" para que você se dê bem e tenha dignidade em sua profissão.  Ninguém vai se importar com suas particularidades, seus medos, sonhos e ambições...  Só você sabe dos sacrifícios que fez para chegar até aqui. Só você sabe das renúncias que precisou fazer. Do quanto pensou em desistir nessa caminhada, mas buscou forças "de não sei onde" para manter a cabeça erguida e continuar.

   O meu "de não sei onde" busquei na fé. Em Deus e no meu esforço.   Acreditava que com muito esforço e luta, ninguém poderia me impedir de conseguir o que objetivava. Ainda tenho essa fé. Caso contrário, nunca a teria experimentado.

   Agora em agosto, faço 11 anos como tabelião concursado. Já passei por muitas provações nesse período. Muitas delas, pensei inicialmente serem barreiras intransponíveis. Mas não o foram.

   

Sei que não sou uma exceção. Acredito que tudo que narrei acima seja a realidade de meus pares. Mas do que vale ter chegado até aqui para sucumbir diante de um desafio? Nossa sina é superar desafios!

   Tenho refletido muito e acredito que*nossa alternativa de superação está no associativismo. * Palavra moderna que simboliza UNIÃO e nos dará a VOZ que tanto suplicamos. Sozinhos, somos apenas tabeliães ou registradores. Juntos, podemos ser um "fato novo" com poder incalculável.  

   Somos todos bem experimentados nessa vida. Dominamos a arte do Direito e podemos nos organizar para fazer uso de tudo que ele pode nos oferecer.

   Para não me estender ainda mais, queria convidar você que me leu até aqui para se associar e se juntar a todos da ABRACE.

  Mesmo que pense: "eu não tenho tempo para participar ativamente", associe-se! Precisamos de todos. Certamente, você terá algo a contribuir para *a nossa causa*. *Também estou me associando agora. *

   Mas não é só isso, peço que você faça parte desse movimento *Recruta +1* e convide algum tabelião ou registrador que também acredite nesses valores e se recusa terminantemente a desistir e se entregar.

   Precisamos de valores que acreditam no sucesso através da luta. Não temos chances se não nos organizarmos. Nossa luta não é somente para sermos ouvidos pelo Tribunal de Justiça ou CNJ, mas para fazermos frente a todos os ataques que sofremos, a todos que querem o nosso fim.

   *Não seja ingênuo em acreditar que nos manteremos vivos apenas por haver previsão legal. * Até mesmo dentro da classe, infelizmente, há os que lutam para a extinção indiscriminada de pequenas e médias serventias.

    *Somos a maioria*